terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O açoite

Sim, é assim que me refiro à depressão, como um açoite. Porém, este açoite não começa no formato o qual sempre o imaginamos; ele começa como uma pequena pluma, que "faz cócegas" nas suas costas, durante os dias. Como é algo pequeno, você não dá importância, afinal, é algo pequeno.

Mas, com o passar o tempos, o que era uma pequena pluma se torna uma pena de avestruz: bem maior e mais resistente, vai começando a acertar as suas costas com mais força. Até aí, você pensa: "deve ser um mal-estar qualquer, amanhã, passa", mas não é o que acontece.

Com o tempo, a pena de avestruz se torna uma pena de pavão: bonita, imponente, grande como a própria vida, e ela começa a realmente te incomodar. Já não são mais cócegas, mas uma coceira que nunca vai embora, uma sensação de que tem algo errado em você. Se você chegou até este ponto, meu amigo, saiba que a depressão já se apossou de você, faltando apenas cortar a faixa inaugural.

Disto em diante, o que era uma pena de pavão se torna um verdadeiro açoite, e suas costas começam a sangrar com cada golpe recebido por ele. Um açoite de pontas afiadas por sua mente e sentimentos, algo que, mesmo as piores pessoas, não deveriam passar. Chega um ponto em que as açoitadas chegam na carne e, aí, é a decadência maior: você se sente perdido, sem ter a quem recorrer ou para onde ir, mas o açoite torna-se parte integrante sua, quase como um novo membro do seu corpo.

Você já não consegue mais se livrar da dor; ela é constante, cada vez mais ardida e estrategista, pois ela só te atinge aonde VOCÊ TINHA CERTEZA de que estava seguro, apesar dos pesares. As açoitadas continuam até um ponto em que você diz para si mesmo "Não aguento mais!", só que, até aí, suas costas já estão além da carne viva, já estão expondo seus ossos e órgãos.

E aí, meus amigos, é hora de você ou procurar ajuda ou continuar até que "seja morto". O açoite da depressão é cruel, astuto, inteligente e covarde. Não vai te poupar de nada, nem em tempo algum. Se você chegar a isto, apegue-se a tudo o que puder: terapia, remédios, Deus, fé, reinvente-se e prepare-se para uma longa e árdua batalha, pois a depressão é como se fosse uma imagem invertida sua, e ela não desistirá de você tão facilmente.

O açoite é forte, mas você deverá ser mais, pois só você, usando todas as armas que tem, será capaz de vencer a batalha pela vida. É duro, triste, terrível, mas possível. E, se com ajuda e consciência, aquele mesmo açoite que te machuca todos os dias, chegará uma hora que não passará de uma lembrança tola de um momento que você precisou passar para ser um ser humano melhor, completo, realmente saudável e, principalmente, feliz.